Proteção cambial: o escudo que as empresas brasileiras ainda ignoram

Por Francisco Bassoli, especialista em câmbio e sócio-fundador da Kótto

Lidar com a instabilidade do câmbio é um dos maiores desafios para as empresas brasileiras que atuam no mercado internacional. Entretanto, uma alternativa para elas é utilizar o hedge cambial, que serve para mitigar os riscos da variação das moedas e permite proteger o planejamento financeiro e as margens dos negócios. Apesar da grande disponibilidade de instrumentos de hedge – utilizados para assegurar os preços de produtos e serviços adquiridos ou vendidos para outros países, a adesão a essas estratégias ainda é baixa. E, enquanto isso, os resultados financeiros das empresas dependem do bom humor do mercado.

O aumento no volume de negociações cambiais reforça a relevância do tema. Em maio, segundo a B3, as negociações de futuros de moedas chegaram a 683 mil transações, movimentando 6,7 milhões de contratos. Isso representa um crescimento significativo em relação a março, quando foram registrados 601 mil negócios e 6,59 milhões de contratos. Apesar desse aumento, a sensação é de que muitas empresas brasileiras permanecem alheias a esse movimento, tratando a gestão cambial como um detalhe, quando deveria ser uma prioridade.

A economia nacional, especificamente, sujeita a oscilações constantes, torna esse descuido ainda mais perigoso. Movimentações bruscas no câmbio podem corroer os ganhos de uma exportação ou tornar insustentável a importação de insumos. O Brasil, sendo vulnerável a mudanças políticas e choques globais, exige das empresas um olhar atento para mitigar riscos. Um exemplo disso é que uma pesquisa recente do U.S. Bancorp apontou que 60% dos executivos de finanças corporativas afirmam que o apetite por proteção cambial aumentou devido às incertezas relacionadas às eleições.

Não basta produzir com eficiência e vender a bons preços; é fundamental garantir que o lucro projetado não seja engolido por uma repentina oscilação da moeda estrangeira. O engajamento das empresas na utilização de mecanismos para proteção cambial ainda é pequeno pois tratam a variação cambial como um fator externo sobre o qual não há controle. O resultado? Lucros comprometidos e incertezas constantes.

É preciso intensificar o uso desse produto, mas de forma correta. Existem alguns casos emblemáticos que mostram companhias que apostaram em um determinado movimento cambial e acabaram enfrentando prejuízos catastróficos. O hedge deve ser uma ferramenta de segurança, não um corta-caminho para o ganho fácil.

Administrador, Francisco Bassoli é formado em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Atuou como Gerente de Negócios Internacionais no Itaú e como Superintendente Comercial na Travelex, empresa britânica especializada em câmbio, além de ocupar o cargo de Gerente Regional de Câmbio no Safra. Desde 2023, é sócio-fundador da Kótto, boutique com expertise em serviços financeiros, investimentos e câmbio.

https://www.capitalnews.com.br/opiniao/protecao-cambial-o-escudo-que-as-empresas-brasileiras-ainda-ignoram/418265

Cenário Econômico e Perspectivas para 2025

As expectativas para a economia global em 2025 são marcadas por incertezas, com desafios significativos em diversas regiões do mundo. Desde os impactos persistentes da pandemia até questões geopolíticas e ajustes nas políticas econômicas, o cenário exige estratégias cautelosas e diversificadas de investimentos.

Estados Unidos: Inflação e Crescimento em Risco

Nos Estados Unidos, os estímulos fiscais adotados durante a pandemia aumentaram a inflação e elevaram a dívida pública. Embora o Federal Reserve tenha iniciado cortes na taxa de juros, a velocidade dessa redução e seu impacto no crescimento econômico ainda são incertos. Discussões sobre a possibilidade de um soft landing (crescimento controlado) ou hard landing (desaceleração acentuada) dominam as análises, com um olhar atento sobre os efeitos da inflação e da desaceleração econômica.

China: Desaceleração Econômica e Mudanças no Modelo de Crescimento

A economia chinesa enfrenta um cenário desafiador, com desaceleração do crescimento e mudanças no comportamento de poupança da população, que impactam o setor imobiliário. Os estímulos fiscais e econômicos implementados têm produzido resultados limitados, afetando parceiros comerciais importantes, como o Brasil. Além disso, a diversificação da cadeia de suprimentos globais pressiona custos e desafia o modelo econômico do país.

Europa e Geopolítica: Pressões Econômicas e Políticas

Na Europa, a combinação de inflação elevada e baixo crescimento cria um ambiente econômico complexo. Os altos níveis de endividamento público dificultam a implementação de políticas de estímulo, enquanto questões geopolíticas, como a guerra na Ucrânia e conflitos no Oriente Médio, elevam os custos de energia e combustíveis. Esses fatores intensificam as pressões inflacionárias e complicam as perspectivas para a região.

Brasil: Crescimento e Ajustes Necessários

O Brasil apresenta crescimento acima das expectativas, mas enfrenta desafios como pressões inflacionárias e falta de clareza nas políticas fiscais. A saída de investidores estrangeiros e a falta de confiança no cenário econômico dificultam investimentos locais. Para 2025, são recomendadas estratégias de diversificação, com ênfase em renda fixa, ações de dividendos e instrumentos seguros para empresas. Além disso, o controle do gasto público e investimentos em infraestrutura são essenciais para garantir um crescimento sustentável.

Estratégias para 2025: A Diversificação como Chave

Diante desse cenário global de incertezas, a diversificação será crucial para mitigar riscos e aproveitar oportunidades. Estratégias que combinam prudência e flexibilidade, aliadas a informações confiáveis, serão determinantes para alcançar rentabilidade e segurança nos investimentos.
O contexto global exige atenção constante e decisões bem fundamentadas, tanto para pessoas físicas quanto jurídicas, visando adaptar-se às mudanças e capturar as melhores oportunidades que 2025 poderá oferecer.

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